Coluna do Meio

Cantando pneu

Silvestre Gorgulho

20 de Dezembro de 2006

  A Comissão de Assuntos Sociais do Senado convidou os ministros Luiz Fernando Furlan e Marina Silva para debater o PLS 216/03, sobre a importação de pneus.
 Pelo andar dos acontecimentos, os dois ministros já desistiram da empreitada.
 Motivo: enfrentar o governador Roberto Requião e o empresário Francisco Simeão, presidente da Abip, não é fácil e os dois ministros sabem que podem derrapar na curva da argumentação.
 Requião e Simeão formam uma dupla temível quando o assunto é remoldagem de pneus.

OMC: sem chance

 Aliás, Furlan e Marina estão numa saia justa: querem ficar no segundo mandato de Lula, mas dia 8 de janeiro de 2007 o Brasil pode ver derrotada na OMC sua posição de proibição da importação de pneus usados e reformados.
 O governador eleito do Paraná já avisou: - Ferrenhos defensores da proibição, junto com o Itamarati do ministro Amorim e as multinacionais que dominam o mercado brasileiro de pneus novos, eles deixarão o Presidente Lula com o mico de trazer remoldados europeus, enquanto proíbe as reformadoras nacionais de manter milhares de empregos de brasileiros.
 Esse filme já passou no início do primeiro mandato de Lula.
 Em 2003, o Brasil teve que engolir decisão do Tribunal Arbitral do Mercosul obrigando o País a aceitar a importação de remoldados do Uruguai.

Curto circuito

 O setor elétrico entrou na fase de rezar pela chuva, pois a sombra de um novo apagão continua.
 Apesar das novas regras, o setor elétrico não conseguiu atrair o volume necessário para os investimentos do País.
 Um dos problemas é a questão ambiental, diz o professor dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia da UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa.
 "Há uma oposição forte às hidrelétricas que só pode ser solucionada se o governo sentar com os ambientalistas e resolver", afirma Pinguelli, ressaltando que o papel do MMA é realmente ser rigoroso.
 O embate com Dilma Rousseff enfraquece Marina e deixa Jerson Kelman, da Aneel, como o destravador.
 Fala-se muito no Kelman para o MMA.

Angra 2 em ação

 A União retomou 29 ilhas no Rio de Janeiro, 16 anos após a criação da Estação Ecológica de Tamoios, nas Baías da Ilha Grande e de Paraty.
 Pela primeira vez foi feito um trabalho de regularização fundiária com a participação do Ministério Público Federal, da Secretaria do Patrimônio da União e Ibama.
 Áreas particulares incluídas nos seus limites serão desapropriadas, com pagamento de indenização aos que chegaram ao local antes de 1990.
 O plano de manejo da estação foi elaborado com dinheiro de compensação ambiental pela  construção da usina nuclear Angra 2.

Exemplo de cima

 Sem tratamento adequado, esgoto de CEU Alvarenga polui a represa de  Billings.
 A escola joga esgoto sem tratamento adequado em Billings desde o início do funcionamento, há três anos.
 Por estar às margens da represa, a unidade teria de retirar no mínimo 80% da carga orgânica do esgoto, segundo a legislação.
 A secretaria admite que o sistema de tratamento da unidade não atende às exigências..
 "Em termos de volume de esgoto, o que é produzido pela escola não chega a ser tanto. Mas o exemplo que o poder público está passando para toda a população que vive em áreas de mananciais é terrível", explica Marussia Whately, do Instituto Socioambiental.


?O mundo precisa ter um comércio justo. O problema é que muitos países em desenvolvimento ainda vendem suas matérias-primas a preços muito baixos, enquanto aqueles que trabalham na indústria de processamento obtém a mais-valia. A Amazônia tem importância para o Brasil e para o mundo. Portanto é justo pensar que o Brasil receba uma ajuda internacional para proteger a Amazônia?.
Achim Steiner, ambientalista gaúcho de origem alemã,
natural de Carazinho, atual
Diretor-Executivo do PNUMA

silvestre@FolhadoMeio.com.br


 
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