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Congresso & Meio Ambiente
Junqueira e a Amazônia
Milano Lopes
21 de Marco de 2007
 As críticas à política governamental para a Amazônia retornaram ao Congresso com o início da nova Legislatura que conta com a presença de 200 parlamentares eleitos pela primeira vez. Para o deputado Márcio Junqueira (PCdoB-MA), "a Amazônia, com seus 25 milhões de habitantes e dois terços do território nacional, foi a grande esquecida na campanha eleitoral passada." Junqueira criticou a "invasão" da Amazônia por uma série de organismos internacionais que, segundo afirmou, "se dizem defensores do meio ambiente, do povo mais simples e carente, mas, na verdade, roubam a biodiversidade local."
Transgênicos
O Senado prepara-se para apreciar o projeto votado no final de 2006 pela Câmara dos Deputados, com base na Medida Provisória 327, que permite o cultivo de transgênicos em zonas de amortecimento de unidades de conservação; em áreas de proteção de mananciais de água utilizável para o abastecimento público; e nas áreas declaradas como prioritárias para a conservação da biodiversidade. As áreas de proteção ambiental e as zonas de amortecimento são regiões que circundam as unidades de conservação e podem ser relativamente ocupadas por atividades humanas. Os limites estipulados para o plantio de transgênicos valem até que sejam fixadas novas zonas de amortecimento e aprovados os respectivos planos de manejo. A regra não se aplica às áreas de proteção ambiental e às RPPNs.
Áreas indígenas
Com a aprovação da MP 327/06, a pesquisa e o cultivo de organismos geneticamente modificados ficam proibidos somente em terras indígenas e em unidades de conservação, permitindo-se ainda o plantio em Áreas de Proteção Ambiental. Todavia, para poder se cultivado em APAs e nas zonas de amortecimento, os organismos geneticamente modificados devem ser incluídos no plano de manejo da unidade de conservação, observando as informações contidas na decisão técnica da CTNBio. O Plano de Manejo deve levar em consideração as características de reprodução, dispersão e sobrevivência dos organismos geneticamente modificados; seu isolamento reprodutivo em relação a ancestrais diretos e parentes silvestres; as situações de risco desse organismos para a biodiver5sidade; e o registro de ocorrência de ancestrais diretos e parentes silvestres.
Gás em motores
A Câmara dos Deputados prepara-se para votar o projeto de lei 5.883, de 2005, de autoria do deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), que cria o Sistema Nacional de Estoques de Combustíveis, com o objetivo de permitir a utilização de gás liqüefeito de cozinha em motores de qualquer espécie, saunas, caldeiras e aquecimento de piscinas. O texto, contudo, mantém a proibição de utilizar Gás Liquefeito de Petróleo, GLP, em motores de automóveis. Segundo o parecer aprovado, se o GLP fosse liberado para fins automotivos, seria muito grande a demanda por esse combustível, devido ao seu baixo preço. Se a demanda fosse maior do que a procura, levaria a um desequilíbrio que poderia transformar, mais uma vez, o País, em grande importador desse gás.
Álcool no diesel
A Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados rejeitou o projeto de lei 222/03 que torna obrigatória a adição de 15% de álcool combustível ao óleo diesel. O projeto, de autoria do deputado Pompeu de Matos (PDT-RS), foi rejeitado sob o argumento de que, até o momento, não existe comprovação científica da eficiência da adição do álcool no diesel, mesmo em pequenas proporções. Segundo o parecer contrário ao projeto, "o álcool e o óleo diesel são combustíveis de características muito diferentes e, por isso, indicados para motores com concepções e modo de funcionamento também diversos."
Poluição no Paranoá
Atendendo a requerimento do deputado Givaldo Carimbão (PSB-AL) a Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados vai realizar audiência pública para debater a contaminação do Lago Paranoá, em Brasília, pelo derivado de petróleo CM30, substância altamente tóxica utilizada em impermeabilização. O autor do requerimento sugeriu que sejam convidados para o debate representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), do Carrefour, da Construtora Orca e da diretora do Fórum das Ongs Ambientalistas, Mara Moscoso. Segundo denúncias recebidas pela Comissão, o óleo derramado espalhou-se por aproximadamente 300 metros, danificando o meio ambiente aquático, incluindo o lençol freático.
Segurança para barragens
Projeto de Lei do deputado Leonardo Monteiro (PT-MG), que define diretrizes de segurança para bar ragens, deverá ser votado no Plenário da Câmara dos Deputados, depois de ter sido aprovado pela Comissão de Minas e Energia. O parecer aprovado pela Comissão reorganiza as normas de segurança e sistematiza os procedimentos de fiscalização. Foi acrescentado ao texto a exigência de um agente público responsá vel pela implementação das diretrizes e pela coordenação dos vários órgãos licenciadores de barragens que existem atualmente.
Biodiesel
As Regiões Norte/Nordeste poderão ser encarregadas de produzir um mínimo de 20% das necessidades de biodiesel do País e a Região Centro-Oeste 10%, caso a Câmara dos Deputados aprove projetos com essas disposições apreciados pela Comissão de Agricultura. Uma alteração introduzida pelo parecer ao projeto retira do texto a obrigação de que o volume mínimo de biodiesel tratado seja proveniente de produtos da agricultura familiar. No caso do Nordeste, a intenção é produzir o biodiesel a partir da mamona plantada sobretudo no semi-árido nordestino.
Raupp e hidrelétricas do Madeira
O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp, defendeu a construção das usinas hidrelétricas de Belo Monte, no Pará, e de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, todas localizadas no rio Madeira. As usinas deverão agregar mais de seis milhões de quiloates ao sistema elétrico brasileiro, ajudando a viabilizar o desenvolvimento econômico da região amazônica e do País, conforme explicou. Segundo o parlamentar, construídas as hidrelétricas, estará viabilizada a hidrovia do rio Madeira, cujos 1400 quilômetros poderão se tornar inteiramente navegáveis e vir a fazer parte de uma malha hidroviária que pode chegar a 4,2 mil quilômetros.
milano.2004@terra.com.br
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