Corpo & Saúde

A PRESSA É INIMIGA DA REFEIÇÃO

Jussara Helou de Mesquita (*)

21 de Marco de 2007

As doenças crônicas, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), representam a principal causa de mortalidade e incapacidade no mundo inteiro, principalmente doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e câncer. Gradativamente, o problema afeta as populações dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Isso está acontecendo em decorrência das grandes mudanças que vêm ocorrendo no estilo de vida das pessoas, sobretudo no que diz respeito aos hábitos alimentares e aos níveis de atividade física. A nova rotina adotada é fruto dos processos de industrialização, urbanização, desenvolvimento econômico e crescente globalização do mercado de alimentos. No mundo inteiro, as pessoas têm consumido, em excesso, alimentos ricos em energia, com altos teores de açúcar e gorduras e pobres em outros nutrientes, em detrimento a alimentos mais nutritivos como as frutas, verduras e legumes.

 

Estudos mais recentes mostram que a saúde pode estar muito mais relacionada ao modo de vida das pessoas do que à idéia anterior da sua determinação genética e biológica. O sedentarismo e a alimentação não-saudável, o consumo de álcool, tabaco e outras drogas são fatores condicionantes diretamente relacionados à produção das chamadas doenças modernas. Assim, a promoção de modos de vida mais saudáveis torna-se imprescindível para a manutenção da saúde e prevenção de doenças.
Uma alimentação saudável e exercícios físicos bem orientados proporcionam peso adequado e melhoram a qualidade de vida, além de ajudar na prevenção ou controle de doenças.
A mudança de hábitos alimentares é difícil, mas traz grandes benefícios. Por isso, comece hoje mesmo, seguindo algumas orientações para a prática de uma alimentação saudável e converse com um profissional da área para escolher a atividade física mais adequada.

Dicas para a prática de uma alimentação saudável

Estabeleça horários fixos para sua alimentação, distribuindo-a em 5 ou 6 refeições por dia. O ideal é fazer uma refeição a cada três horas (café da manhã, almoço, jantar e pequenos lanches nos horários intermediários). Não espere ter fome e acabar comendo mais do que precisa. Respeite a moderação.

Mastigue bem os alimentos, procurando fazer suas refeições em ambiente agradável e sem pressa. A pressa é inimiga da refeição.
Consuma variados tipos de legumes, verduras e frutas ao longo do dia. Dê preferência para aqueles de coloração intensa, como os verde-escuros, amarelos e vermelhos.

Inclua alimentos ricos em fibras na sua alimentação, como, por exemplo, os cereais integrais (pão, biscoito e arroz integral). Os cereais matinais (granola), a aveia, o trigo e as frutas são também boas fontes de fibras. Tente consumi-las, quando possível, com casca ou bagaço.
Evite os alimentos ricos em açúcares como doces, chocolates, balas e outras guloseimas.

Diminua o consumo de gorduras, dando preferência ao leite desnatado, aos queijos brancos e às carnes magras. Evite frituras, gordura aparente das carnes, pele de aves e alimentos industrializados que contém gordura vegetal hidrogenada entre seus ingre
dientes. Use pouca quantidade de manteiga, margarina e requeijão. Leia sempre os rótulos.

Controle a adição de sal na sua refeição e consuma com mo
deração alimentos ricos em sódio, como os enlatados, embutidos (salsicha, presunto, mortadela, lingüiça etc.) e temperos indus
trializados. Prefira ervas, especiarias e limão para tornar as refeições mais saborosas.

Beba, em média, 8 copos de água por dia para hidratar seu corpo.

Evite bebida alcoólica.

ESPAÇO DO LEITOR

Não existe uma quantidade exces-siva de produtos industrializados no cardápio diário? Por que a gente a cada dia acaba consumindo porções maiores de alimentos? Isso é bom?
Sílvia B. Nogueira - Montes Claros - MG

Sílvia, você tem razão. A sociedade moderna está cada vez mais urbana. As pessoas estão sobrecarregadas pelas atividades diárias. A vida se complica pelas grandes distâncias entre o local de trabalho e a residência. Existem ainda outros problemas: o consumismo, a grande oferta de produtos industrializados e o apelo da propaganda. Assim, a tendência é cada vez maior ao consumo excessivo de alimentos industrializados, que são freqüentemente saborosos e práticos, pois já vêm prontos ou semi-prontos, além de possuir um prazo de validade bem maior do que os produtos "in natura".
Mas isso não é saudável. Para alcançar a praticidade, o sabor e a durabilidade desses alimentos, as indústrias utilizam aditivos. Esses aditivos podem ser naturais (extraídos de plantas), semi-sintéticos (obtidos a partir de substâncias naturais e sintetizados artificialmente) ou sintéticos (produzidos quimicamente em laboratórios).
Essas substâncias são os conservantes, antioxidantes, corantes, aromatizantes, estabilizantes e acidulantes presentes nos produtos que, na grande maioria das vezes, não fazem bem à saúde.
Assim, a melhor recomendação é controlar o consumo de alimentos industrializados, diversificando ao máximo a dieta. Dê preferência aos alimentos frescos ou processados sem o uso de aditivos sintéticos. Essa é uma maneira de diminuir a exposição às substâncias potencialmente prejudiciais à saúde.
Quanto ao maior tamanho das porções, isso é uma questão mercadológica: está relacionado a estratégias de venda, que levam às mudanças maléficas de hábitos alimentares. O importante é ter em mente que a necessidade nutricional é individualizada, assim como o tamanho das porções também deve ser.


Usar limão na carne de porco diminui sua gordura?
    Rebeca Cabral - Rio de Janeiro - RJ

Não. O teor de gordura continua o mesmo. O limão age como tempero, conferindo sabor à preparação. A Vitamina C nele contida pode ajudar na absorção do ferro, presente nas carnes.

(*) Jussara Helou de Mesquita é Nutricionista - CRN1-3905 ? jussara@folhadomeio.com.br



 
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