Ponto de Vista

Adultos de espírito adolescente

Jairo Brasil (*) jairobras@msn.com

21 de Marco de 2007

Na nossa história, inúmeros testemunhos já evidenciavam grande preocupação com as mudanças climáticas atuais. Um dos primeiros depoimentos que se tem registro é o do Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrade e Silva (1763-1838), no ano de 1823: "Nossas preciosas matas vão desaparecendo, vítimas do fogo e do machado destruidor da ignorância e do egoísmo. Nossos montes e encostas vão-se escalvando diariamente, e com o andar do tempo faltarão as chuvas fecundantes que favoreçam a vegetação e alimentem nossas fontes e rios, sem o que o nosso belo Brasil, em menos de dois séculos, ficará reduzido aos páramos e desertos áridos da Líbia".

Um Sopro de Destruição, do professor José Augusto Pádua (1959), relata a existência do discurso ambientalista desde os áureos tempos do Brasil Império. Na perspectiva do resgate histórico, o professor José Augusto Drummond (1948), possui vários artigos sobre história ambiental, citando autores que se dedicaram à análise crítica das relações históricas entre a sociedade e o meio natural.
Entre os brasileiros, cita ele a importância das obras de Gilberto Freyre (1900 - 1987) e Sérgio Buarque de Holanda (1900 - 1982). James Lovelock (1919-), em A Vingança de Gaia, afirma que, antes do fim deste século, bilhões de nós morreremos e os poucos casais férteis que sobreviverem estarão no Ártico, onde o clima continuará tolerável.
O brasilianista Warren Dean (1932-1994), em seu A Ferro e Fogo, descreve com muita propriedade os motivos que levaram à devastação da Mata Atlântica.
A insipiente indústria brasileira das décadas de 40 e  50 foi responsável pela poluição indiscriminada dos recursos hídricos do País. Para denunciar a insensatez da indústria coureiro-calçadista na região sul do Brasil surge Henrique Luiz Roessler (1896-1963), que atuou como fiscal da pesca no Rio dos Sinos e fundou em 1955 a UPAN - União Protetora da Natureza.
A biografia de Roessler está disponível em O Homem do Rio - paisagens de uma paixão, onde é possível entender o contexto histórico em que se deu a colonização alemã e sua influência na realidade econômica e cultural, mas também ambiental, do vale dos Sinos.
Mas nenhuma crítica ambiental alcançou tamanha repercussão do que as empreendidas pelo movimento ambientalista gaúcho AGAPAN da década de 1970. Foram críticas à poda indiscriminada de árvores em Porto Alegre, à poluição do Rio Guaíba, à construção de usinas nucleares - estas apoiadas pelo programa desenvolvimentista do governo Geisel - e à utilização de agrotóxicos nas lavouras do estado, que fizeram de José Antonio Lutzenberger (1926-2002) o grande disseminador das idéias preservacionistas em nível nacional, registradas em sua obra Manifesto Ecológico Brasileiro - o fim do futuro.
 Se conselho fosse bom a gente não dava, vendia! Aliás, tento hoje, em vão muitas vezes, sensibilizar minha filha adolescente de quão importante é ouvir a "voz da experiência" como forma de aprimoramento ou prevenção. Mas, tal como eu no passado, finge ela educadamente me ouvir, sem perder a seqüência de mensagens insistentes que invadem a tela de seu computador. 
Também estaremos nós, adultos, imbuídos de um espírito adolescente e inconseqüente, cujo arrependimento despertará tardiamente? Que futuro preparamos para as próximas gerações, incluídos aí nossos filhos e nossos netos?
Urge ouvirmos o alerta do velho Lutz: "talvez sejamos em breve amaldiçoados como a geração que mais lixo produziu desde nossos primórdios"; ainda com um agravante: - em plena Revolução da Informação não há desculpas nem pretextos para alegarmos que "não sabíamos" ou que "não fomos avisados".



 
Folha do Meio Ambiente


Pesquisa

 

 

Participe desse esforço por uma melhor qualidade de vida. Como? Muito fácil.
Fazendo sua assinatura,  escrevendo e dando sugestões.

Folha do Meio Ambiente é uma publicação da Folha do Meio Ambiente Cultura Viva, Editora Ltda, SRTV Sul,  Quadra 701,Edificio Multi Empresarial - Bloco O - CEP 70340-907 - Brasília-DF, Brasil – Fone: (61) 3322-3033, Fax (61) 3226-4438.

© Copyright 2001 Folha do Meio Ambiente Cultura Viva, Editora Ltda. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta  página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha do Meio.