Editorial

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Reforma do MMA e mudança climática

O mês de maio termina repleto de novidades. Quando o País só ouvia falar na visita do Papa Bento XVI, o noticiário deu uma guinada para anunciar a reestruturação do Ministério do Meio Ambiente e, em consequência, do Ibama. O segundo foi criado na década de 80 e uniu diversos órgãos. Já o primeiro, nasceu como Secretaria no governo de Fernando Collor, às vésperas da Conferência RIO-92, convocada pela ONU para discutir temas relacionados ao meio ambiente no mundo. Com o tempo, se transformou em Ministério. Um Ministério, infelizmente, de segundo escalão, com pouca gente, pouco recurso e sublocando as instalações do bloco B da Esplanada dos Ministérios, que também abriga outro primo pobre, o Ministério da Cultura. A capacidade e a força de trabalho da equipe compensa as demais necessidades.
 Pois já estava na hora da instituição ser repensada, melhor organizada e ganhar responsabilidades que contemplem o cenário atual em que vivemos. É uma lástima, no entanto, que as mudanças no Ibama não tenham sido mais profundas, que a Comunicação Social ainda não faça parte da estrutura do órgão e que a Educação não atue no mesmo espaço da Comunicação e Mobilização Social. Quem sabe uma próxima reforma contemple a lacuna que ainda permanece. No âmbito do Ministério, criar uma Secretaria que discuta mudanças climáticas foi um grande avanço.
 É preciso ter presente que estas mudanças, como bem já informaram diversos relatórios, afetarão primeiramente as regiões mais pobres e as populações mais expostas, como ilhéus e moradores de áreas já em processo de desertificação, tema desta edição da Folha do Meio. Portanto, as grandes obras pensadas para o País têm de estar atentas não para o cenário que existe hoje, mas para o cenário que está por vir, para evitar maiores danos ao ambiente, às pessoas, à saúde e à economia.
 Diante das mudanças, que são modernas, os funcionários do Ibama reagiram com uma greve geral. Exigem a retirada da Medida Provisória que determina a reestruturação do setor, uma greve política, e não por melhores salários ou condições de trabalho. Olhar o próprio umbigo sem enxergar o corpo  foi a única reação dos servidores em greve. Poderiam ter optado pela realização de um seminário para discutir o processo e construir junto, mas não foi assim.
Esta edição da Folha do Meio analisa as mudanças no Ministério e no Ibama às vésperas do Dia Mundial do Meio Ambiente, que acontece em junho. Há muito para fazer e há muito para refletir.

marcia@folhadomeio.com.br

 

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