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Folha do Meio HÁ 17 ANOS Maio de 1990 23 de Maio de 2007 Velho Lutz O ambientalista José Lutzenberger foi convidado pelo presidente Fernando Collor para dirigir a Secretaria Nacional do Meio Ambiente. O Velho Lutz levou 20 dias para aceitar o convite. Tão logo assumiu a SEMA, Lutzenberger deu uma entrevista à Folha do Meio Ambiente e falou sobre o Proálcool, incentivos fiscais e metas de trabalho. GarimpeirosPara o Velho Lutz, os garimpeiros também são vítimas da grave situação social do País. Mas, ainda assim, é preciso cumprir a ordem judicial, pela qual o Exército deveria ter retirado os garimpeiros das áreas indígenas de Roraima, onde se verifica um verdadeiro genocídio de toda uma etnia. Esta é a mais grave e mortal forma de poluição e depredação. Incentivos Fiscais O novo secretário é pela abolição pura e simples de todos os incentivos fiscais em toda a Amazônia Legal: "As grandes fazendas de gado sediadas na Amazônia não merecem o nome de desenvolvimento e o único interesse desses investidores é aproveitar os subsídios, que é dinheiro de toda a população". Rodovia Acre-Peru - (BR-364) Lutz mostrou coerência: sempre se manifestou contrário, por entender que a abertura dessa rodovia vai representar uma grave agressão, em termos de desmatamento e de ocupação desordenada, predatória e irracional. A questão dessa rodovia chegou a representar um ponto de divergência com o presidente Collor, no momento em que o candidato a presidente do Peru, Vargas Llosa, anunciou a realização dessa obra, "da parte dos dois novos governos". Fernando Collor, porém, disse a Lutzenberger que o assunto não estava decidido e que merecia novos estudos, inclusive com a participação da Secretaria do Meio Ambiente. Para Lutzenberger, "os japoneses e chineses querem essa estrada para facilitar a retirada da madeira". Proálcool- Nas palavras do novo secretário, o Proálcool tem de ser repensado, pois não é possível que os usineiros, beneficiados com subsídios pagos com o suor de todos, estejam agora usando esses subsídios para produzir e exportar açúcar. "Eles devem ser obrigados a fazer álcool, pois, para isso, receberam os subsídios", garantiu. Partido Verde Para Lutz, o movimento ecológico é suprapartidário e, por isso, nunca apoiou o Partido Verde, preferindo que todos os partidos já existentes apresentem seus programas para o setor. Seu trabalho também tem sido apartidário.
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