Comportamento urbano

Cada macaco no seu galho

Com o avanço dos centros urbanos sobre as áreas verdes e florestas, quem perde mais: os bichos ou os homens?

Da redação

A polêmica teve início, mas nunca terá fim: quem perde mais com o avanço da ocupação do solo e o aumento desenfreado dos centros urbanos: os homens ou os bichos? A verdade é que exageros conservacionistas, sobretudo nas periferias dos centros urbanos, podem trazer desequilíbrios e muitas desvantagens. Tanto para a biodiversidade como para os homens.

Bichos nos centros urbanos: quem perde mais, bichos ou os homens?

 

 

 

Em Brasília, é freqüente aparecer uma onça desgarrada, um lobo guará ou mesmo sucuris e jacarés na orla do Lago Paranoá, ou mesmo nas áreas verdes das casas. Macacos, micos e capivaras já fazem até parte do cenário urbano. No Rio de Janeiro, um forte exemplo: os macacos do Parque Nacional da Tijuca  têm descido, freqüentemente, para a malha urbana. Vêem-se micos pelos fios elétricos, de vez em quando um deles morre eletrocutado.
Os guardas da TV Globo que trabalham em postos vizinhos à Floresta da Tijuca, no Jardim Botânico, são atacados por uma enorme quantidade de pulgas que os macacos disseminam.
Macacos graúdos têm assaltado residências contíguas ao Parque Lage. Entram em apartamentos, pulando dos galhos das árvores para as áreas de serviço e tendo acesso às cozinhas. Um deles, há pouco tempo, devorou um bolo antes que a dona chegasse na cozinha. Outro assustou uma empregada que se pôs aos berros pensando tratar-se de um assaltante.
Tudo advém de equivocados exageros de conservacionistas. O Parque Lage, um jardim histórico, está sendo manejado como um Parque Nacional. Segundo os técnicos, as zonas de tampão de unidades de conservação não se prestam apenas à proteção dos ecossistemas mas, reciprocamente do meio urbano contíguo.
Para Carlos Fernando de Moura Delphin, paisagista e arquiteto do Iphan, "essas distorções são hoje uma realidade nas cidades onde há florestas ou que estão próximas a parques".
O próprio Moura Delphin, explica que exageros conservacionistas podem ser antagônicos ao conforto e, pior ainda, favorecem a proliferação de certas espécies, desequilibrando-as demograficamente e forçando-as a penetrar em territórios antrópicos com desvantagens para os dois lados". Com esses desequilíbrios, perdem os bichos e perdem os homens. Mais os bichos. (SG)

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