Ponto de Vista

Pássaro ferido

Jurandir Schmidt, de Joinville

Há pássaros que ficaram famosas nas lendas folclóricas, cantigas e poesias: Sabiá, Andorinha, Uirapuru, João-de-barro, Águia e a Pomba, para citar apenas alguns. Eles voam e são inspiradores dos sonhos humanos.

Não foi morte
natural, foi morte
provocada . Para muitas
pessoas nascer é o fim.
E destruir é viver

Costumo observar os pássaros que surgem no meu quintal, agitando suas asas e trinando liberdade. Cumprem rigorosamente uma rotina, chance que temos de programar suas idas e vindas. Em muitos casos, alguns até ignoram a nossa presença, confiança adquirida pela quantidade de visitas realizadas. Constituem um espetáculo hilariante quando decidem cantar e pular em grande alegria. Difícil escolher o mais bonito, o mais ágil e o mais petulante. Todos possuem características próprias, independente de qualquer condição. Sempre acabamos tendo uma preferência. Pessoas há que possuem uma maneira egoísta de apreciar esta beleza cantante, encarcerando-a numa gaiola. Muitos não podem viver trancafiados, pois tem a absoluta neces-sidade orgânica de voar.
 Um destes pássaros destacou-se desde a primeira aparição. Tinha tudo de dife-rente. Com a beleza de suas cores vivas e bem definidas, parecia que a qualquer momento se transformaria num guerreiro protetor da vida e da natureza. Com ele os espetáculos eram renovados a todo instante. Os outros pareciam meros coadjuvantes.
De repente, ficou uma semana sem aparecer. O quintal perdeu o brilho e já se havia descartado o seu retorno. Algumas cenas do cotidiano causam estranheza quando não repetidas.
Certa manhã, um gorjeio pediu socorro. Em agonia, o astro principal tombou mostrando no peito a insensatez humana. Não foi morte natural, foi morte provocada.
Para muitas pessoas nascer é o fim. E destruir é viver.
O quintal ficou sem as peripécias do pássaro preferido. A natureza deixou de
executar mais uma de suas notas musicais. A saudade dele será substituída por outro que virá, provocará novas emoções e será escolhido.



 
Folha do Meio Ambiente


Pesquisa

 

 

Participe desse esforço por uma melhor qualidade de vida. Como? Muito fácil.
Fazendo sua assinatura,  escrevendo e dando sugestões.

Folha do Meio Ambiente é uma publicação da Folha do Meio Ambiente Cultura Viva, Editora Ltda, SRTV Sul,  Quadra 701,Edificio Multi Empresarial - Bloco O - CEP 70340-907 - Brasília-DF, Brasil – Fone: (61) 3322-3033, Fax (61) 3226-4438.

© Copyright 2001 Folha do Meio Ambiente Cultura Viva, Editora Ltda. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta  página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha do Meio.