Folha do Meio FAZ 18 ANOS

15 de junho de 2006

Há 18 anos, em junho de 1989, nascia a Folha do Meio Ambiente. O
jornal nascia no bojo de um seminário internacional, realizado em Brasília, para discutir a Dívida Externa brasileira em projetos de meio ambiente. O jornal circulou prioritariamente para os 500 participantes do evento, realizado na sede do Banco Central, e foi encartado na edição do dia do Jornal de Brasília. A repercussão foi tanta que chegaram à secretaria do Seminário mais de 300 cartas pedindo a assinatura do jornal. Bastou este fato para  que a Folha do Meio Ambiente passasse a existir. Foi aí que um grupo de jornalistas brasilienses, capitaneados pelo jornalista Silvestre Gorgulho, resolveu investir -  pela primeira vez  na América Latina - numa publicação formal que abordasse a questão ambiental pelo ângulo da  da educação, da ecoeficiência e da tecnologia limpa, longe dos radicalismos ideológicos ou políticos.
 Com uma equipe de 28 jornalistas profissionais, a Folha do Meio não é ONG e nem está atrelada a nenhuma fundação, empresa ou governo. É um jornal mensal, produz todo seu conteúdo editorial e chega a todas as missões e postos diplomáticos brasileiros em  123 países. Recebem também a Folha do Meio todas as representações diplomáticas estrangeiras no Brasil, bem como todos organismos de fomento e de desenvolvimento no exterior (Banco Mundial, BID, ONU, UNESCO, UNICEF).
DÍVIDA EXTERNA - Com o auditório do Banco Central lotado, o professor Wanderbilt Duarte de Barros, então presidente da FBCN, e o ministro do Interior (interino) José Carlos Mello, abriram as primeiras discussões no Brasil sobre a possibilidade da conversão da dívida externa em projetos do meio ambiente, durante o Seminário Recursos Externos em Projetos de Meio Ambiente: Possibilidades e Critérios. Na sua fala inicial, Wanderbilt alertou: "Precisamos cuidar de nossa soberania, da nossa dignidade, da grandeza do Brasil. Mas a ajuda externa pode vir e não devemos temê-la, porque ela não provocará melindres à nossa soberania".
CULTURA - O grande patrocinador do encontro foi o então ministro da Cultura, José Aparecido de Oliveira, que anteviu a importância de valorizar o meio natural ao qual o ser humano imprimiu marcas de suas ações e formas de expressão.  O conceito ambiental de diversidade biológica corresponde ao conceito de pluralidade cultural.
CONVERSÃO DA DÍVIDA - O ex-presidente do BC, Geraldo Langoni, defendeu a conversão da dívida em projetos de meio ambiente. Disse que a poupança internacional pode alavancar o desenvolvimento do País, sem que sua soberania corresse risco. Langoni apontou três formas de captação: 1 - Transferências governamentais ou  doações a fundo perdido;  2 -  Recursos oriundos de organismos multilaterais (empréstimos a longo prazo); 3 -  Fontes privadas (doações sem intermediação governamental).
Além do ministro José Aparecido e Lagoni, participaram do Seminário o presidente do Ibama (que acabava de ser criado) Fernando César Mesquita, o diretor do Instituto Battelle, da Suíça, Otto Hieronymi, e o então presidente da Embrapa, Carlos Magno Campos da Rocha, que lançou um desafio a todos aqueles que criticam a condução dos problemas brasileiros relativos ao meio ambiente: "Por que não financiar mais as pesquisas agropecuárias e biológicas no Brasil? Não basta o discurso conservacionista. Importante mesmo é investir em pesquisa, gerar conhecimento e incorporar novas tecnologias".



 
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