Chegou a seca, baixou a umidade do ar e os produtores rurais começam a preparar a terra para plantar... pronto, pode ficar em alerta. Vem aí a temporada de incêndios florestais. Em Brasília, o fogo já chegou bem próximo ao Parque Nacional. E o Corpo de Bombeiro levou o dia todo para apagar um incêndio que devastou rapidamente 80 hectares. E o que preocupa mais ainda é lembrar que de janeiro a julho, a área de Brasília já teve 1825 focos de incêndios florestais. E mais grave: ainda não se chegou ao período crítico de seca, que ocorre nos meses de agosto e setembro. Na região de Mato Grosso, Goiás e Tocantins o problema se repete. Entra ano sai ano, os incêndios florestais chegam, preocupam e quase sempre provocados pela ação humana.
Alexandre Curado
Não só a fauna e flora sofrem efeitos dos incêndios, mas cercas e linhas de transmissão
Tanto o Corpo de Bombeiro como os técnicos do Instituto Nacional de Meteorologia têm a mesma opinião: de ano para ano aumentam os focos de incêndio e as causas estão aí nos jornais: aquecimento global, mudanças climáticas e falta de atenção da população e produtores rurais. Segundo o major Rogério Santos Soares, do CBDF, somente em junho, a temperatura aumentou em média 2°C em comparação ao mesmo período do ano passado. Também a umidade do ar vem sofrendo alterações. Em 2006, a umidade mínima esteve em torno dos 37%, já neste ano de 2007 chegou a 21%.
Fogo nas práticas agrícolas O descontrole do fogo com a prática das queimadas na agricultura cria um desequilíbrio ambiental, perda de fertilidade do solo, poluição, destruição das redes de eletricidade, de cercas e muitos acidentes rodoviários e até aéreos, quando a fumaça atinge regiões próximas a aeroportos. Em toda estação seca, quando acontecem os incêndios florestais, há grandes prejuízos para o Brasil.
Impacto ambiental É grande a preocupação das comunidades científica e ambientalista com as queimadas e com os incêndios florestais. Pedem, inclusive, mais atenção do governo para mobilizarem a sociedade em geral e os produtores rurais em particular no sentido de divulgarem ações e campanhas de controle do uso do fogo na agricultura. Entre estas ações, os ambientalistas pedem a divulgação de tecnologias alternativas já disponibilizadas pela reduzir a prática da queimada no manejo da terra. São tecnologias que evitam os incêndios e queimadas e ainda podem garantir a produtividade da lavoura. A verdade é que o uso das queimadas pelos agricultores é antigo e tem como finalidade a limpeza das áreas, a queima de resíduos para eliminar pragas e doenças, a renovação de pastagens, a queima de dejetos de serrarias e de lixo urbano ou ainda como técnica de caça. Segundo os cientistas, o fogo afeta diretamente os processos físico-químicos e biológicos dos solos, deteriora a qualidade do ar, reduz a biodiversidade e prejudica a saúde humana. Isso sem falar na alteração da composição química da atmosfera, com o aumento do efeito estufa, e a maior penetração da radiação ultravioleta, com a destruição da camada de ozônio. E mais: ao escapar do controle, o fogo atinge tanto o patrimônio público quanto o privado, como florestas, cercas, linhas de transmissão e de telefonia e construções.
Onde é proibido usar fogo 1) Nas florestas e demais formas de vegetação; 2) Para queima pura e simples de aparas de madeira, resíduos florestais e material lenhoso; 3) Também não se pode usar fogo numa faixa de 15m dos limites de segurança das linhas de transmissão de energia elétrica; 4) Cem metros ao redor da área de domínio de subestação de energia elétrica; 5) 25m ao redor da área de domínio de estações de telecomunicações; 6) 50m a partir do aceiro existente nas Unidades de Conservação; 7) 15m de cada lado das rodovias estaduais e federais e das ferrovias, medidos a partir da faixa de domínio; 8) Em área definida pela circunferência de raio igual a 11 mil metros, tendo como referência o centro geométrico da pista de pouso dos aeroportos.
Queimadas e incêndios Para entender melhor as nomenclaturas, vale saber o que é fogo, o que é queimada e o que é incêndio florestal. O fogo é um fenômeno natural. É o desenvolvimento simultâneo de calor e luz, produzido pela combustão de certos corpos. Toda a biomassa da floresta consiste de acúmulo de energia produzida pela fotossíntese. O dióxido de carbono, a água e a energia solar combinam-se para produzir celulose e outros carboidratos. Esse material é armazenado em todas as plantas verdes. O fogo reverte rapidamente esse processo, liberando a energia armazenada. Queimada - É uma prática agropastoril ou florestal que utiliza o fogo de forma controlada para ajudar na agricultura. A queimada deve ser regida pela aplicação controlada do fogo à vegetação natural ou plantada, sob determinadas condições ambientais que permitam que o fogo mantenha confinada a área, dentro de uma intensidade de calor e uma velocidade de propagação compatíveis com os objetivos do manejo. A queima deve ser autorizada pelo Ibama ou pelo órgão estadual competente. Incêndio florestal - É o fogo sem controle que incida sobre qualquer forma de vegetação, podendo tanto ser provocado pelo homem quanto por uma causa natural.
A queima controlada O interessado na obtenção de autorização para a queima controlada deve: 1) Definir as técnicas, os equipamentos e mão-de-obra a serem utilizados; 2) Fazer o reconhecimento da área e avaliar o material a ser queimado; 3) Promover o enleiramento dos resíduos de vegetação, de forma a limitar a ação do fogo; 4) Preparar aceiros de três metros de largura, ampliando essa faixa quando as condições climáticas, ambientais e topográficas assim o permitirem; 5) Providenciar pessoal treinado pra atuar no local da operação, com equipamentos apropriados; 6) Informar formalmente vizinhos a realização da queimada controlada; 7) Prever a realização da queima em dia e horário certos, evitando-se os períodos de temperatura mais alta; 8) Providenciar o acompanhamento de toda a operação de queima, para adotar, se necessário e a tempo, medidas de contenção do fogo.
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