Aves migratórias

Estados Unidos e Brasil se aliam em favor dos manguezais e das aves migratórias

O objetivo é claro e importante para a proteção da biodiversidade: conservar os manguezais, inibir a produção clandestina de camarão e proteger as aves migratórias no Brasil. Neste sentido estão trabalhando em conjunto as governos brasileiro e norte-americano para fechar um acordo de cooperação. O primeiro passo foi dado, quando o Ministério do Meio Ambiente, por intermédio do Núcleo da Zona Costeira e Marinha da Secretaria de Biodiversidade e Florestas, participou da oficina "Corredor Atlântico de Migração de Aves e Carcinicultura". O evento, promovido pela ONG Aquasis e pelo Serviço de Pesca e Vida Silvestre dos Estados Unidos, foi realizado em Fortaleza, importante rota das aves migratórias.

O Ministério do Meio Ambiente, representando o governo federal, juntamente com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, apresentou as políticas relacionadas a áreas protegidas marinhas e à implementação da Convenção de Zonas Úmidas, conhecida como Convenção de Ramsar. O trabalho coordenado entre os países é a base para uma conservação efetiva das aves, que se reproduzem no Hemisfério Norte, na região do Alasca, e migram até 30 mil quilômetros em direção ao sul do planeta para proteger-se do inverno austral. Ao longo do trajeto, fazem paradas na costa do Brasil, rica em biodiversidade.
O propósito do encontro entre especia-listas dos dois países foi o de identificar os problemas provocados pela instalação ilegal e não sustentável de fazendas de camarão exótico nas áreas costeiras, principalmente nos manguezais, incluindo todas as suas feições: áreas florestadas, planícies intermareais e apicuns.
Também debateram as conseqüências da perda de habitats fundamentais para a conservação de aves migratórias, além das possibilidades de cooperação técnica, financeira, jurídica e de capacitação. Decidiram, ainda, estimular a coordenação de posições conjuntas em negociações internacionais sobre o tema.
O passo seguinte vai ser uma oficina no Maranhão, programada para agosto, na Área de Proteção Ambiental (APA) das Reentrâncias Maranhenses. O evento terá o mesmo formato da Oficina de Planejamento de Ação do Sítio Ramsar - APA da Baixada Maranhense, realizada entre em junho, parte do projeto Fortalecimento de Capacidade Institucional para a Consolidação dos Sítios Ramsar Brasileiros, coordenado pelo Núcleo da Zona Costeira e Marinha.
Aves Limícolas
Como a APA das Reentrâncias integra a Rede Hemisférica de Reserva para Aves Limícolas (que habitam praias e manguezais) e também é um sítio Ramsar, seu reconhecimento internacional servirá como um incentivador das políticas conjuntas entre países, possibilitando ao Brasil receber cooperação financeira dos Estados Unidos para preservar a área, umas das paradas obrigatórias para os maçaricos que atravessam as Américas.
Para conservar o ecossistema dos mangues, protegendo o habitat das aves, uma das prioridades dos dois governos é combater a proliferação da carcinicultura. Ou seja, reduzir o número de fazendas de camarões, atividade dissemidada pelo litoral brasileiro nos últimos anos, notadamente nos estados de Ceará e Rio Grande do Norte, concentradores de quase 80% dos viveiros no País. A maioria delas é irregular e resulta em passivos ambiental e social, incluindo propagação de doenças, migração de pescadores e destruição da biodiversidade.
Entre as práticas sustentáveis defendidas pelo Ministério do Meio Ambiente na criação do crustáceo constam eliminar a utilização de antibióticos nos viveiros e adotar espécies nativas, banindo as exóticas, que comprometem o ecossistema. No Maranhão, em agosto, Brasil e Estados Unidos darão continuidade ao projeto de cooperação.
Também fecharão posições conjuntas de conservação dos manguezais, que serão apresentadas em Mérida, na Venezuela, durante a reunião preparatória panamericana da Conferência das Partes (COP) de Zonas Úmidas (COP-10), que se realizará no segundo semestre de 2008, na Coréia do Sul.



 
Folha do Meio Ambiente


Pesquisa

 

 

Participe desse esforço por uma melhor qualidade de vida. Como? Muito fácil.
Fazendo sua assinatura,  escrevendo e dando sugestões.

Folha do Meio Ambiente é uma publicação da Folha do Meio Ambiente Cultura Viva, Editora Ltda, SRTV Sul,  Quadra 701,Edificio Multi Empresarial - Bloco O - CEP 70340-907 - Brasília-DF, Brasil – Fone: (61) 3322-3033, Fax (61) 3226-4438.

© Copyright 2001 Folha do Meio Ambiente Cultura Viva, Editora Ltda. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta  página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha do Meio.