Plástico reciclável

Será o fim dos sacos plásticos?

A utilização de oxibiodegradável ainda gera muita polêmica

Milano Lopes, de Brasília

Três estados da Federação - São Paulo, Paraná e Santa Catarina - buscam alternativas ambientalmente corretas para a substituição dos milhões de sacos plásticos que diariamente são entregues aos clientes, sobretudo de supermercados e mercadinhos, embalando os alimentos e outros produtos. A solução, já usada em outros países, seria a utilização de um aditivo, chamado oxibiodegradável, na produção dos sacos plásticos. Em contato com o oxigênio, o calor e a luz, esse produto degrada o saco plástico em um prazo de seis a 24 meses, em comparação com os quase 100 anos necessários à total destruição do plástico convencional.

A mudança, que começou timidamente em algumas redes de médios e mini-mercados paranaenses e catarinenses, e em um projeto piloto de uma loja do Pão de Açúcar, em São Paulo, não está avançando em parte pelas controvérsias em torno da eficácia do oxiobiodegradável e em parte por causa do lobby promovido pela indústria de plástico.

LEGISLAÇÃO
No Paraná, a Câmara de Vereadores de Curitiba aprovou projeto de lei, que ainda depende de sanção do prefeito Beto Richa, do PSDB, tornando obrigatório o uso das sacolas degradáveis nos estabelecimentos comerciais da cidade. E em Londrina, foi a prefeitura que determinou o uso do aditivo nas sacolas utilizadas pelo comércio local, possibilitando seu uso até em feiras livres e pequenos mercados da cidade. Em Santa Catarina, mesmo sem norma obrigatória, uma rede de farmácias de 83 unidades decidiu adotar a sacola degradá-vel, o mesmo ocorrendo com uma rede de pequenos mercados.
Contudo, em São Paulo não há consenso. No plano estadual, a Assembléia Legislativa aprovou projeto de lei instituindo a obrigatoriedade do uso da sacola de plástico descartá-vel, e aguarda a manifestação do Governador José Serra. Mas na capital, o prefeito Gilberto Kassab vetou idêntico projeto de lei votado na Câmara Municipal paulistana, sob a alegação de que é necessário realizar estudos mais aprofundados sobre a matéria.

DIVERGÊNCIAS
O uso do aditivo oxiobiodegradável é criticado sobretudo pelos representantes das indústrias de plástico. Eles criticam a eficácia da solução, lembrando que os sacos plásticos são depositados sobretudo nos lixões, ficando abaixo das camadas de lixo, onde praticamente não há oxigênio nem luz, condições essenciais à rápida degradação do plástico. Desse modo, seriam degradados no prazo de seis meses a dois anos apenas os sacos plásticos lançados na superfície, ou seja, uma minoria.
Outra crítica diz respeito à deposição dos resíduos resultantes da degradação desses sacos plásticos com o aditivo, o qual, aliás, ainda não tem a aprovação da Anvisa. Os restos do plástico - micropartículas -  continuariam a ser plástico e, desse modo, poluindo. Além disso, a tinta utilizada na produção do plástico poderia ser depositada em rios e lençóis freáticos, degradando os recursos hídricos.
Outro argumento é de natureza econômica: o saco plástico oxiobiodegradável custa em média 15% a mais do que o saco de plástico comum. Esse diferencial poderia ser reduzido até à metade, mas em função da escala de produção. Estima-se entre 800 milhões a um bi-lhão o número de sacos plásticos utilizados pelo comércio em todo o País, cerca de 400 mi-lhões apenas no Estado de São Paulo.
Por conta dessas críticas, o Grupo Pão de Açúcar decidiu cancelar temporariamente um programa-piloto que estava desenvolvendo em uma de suas lojas em São Paulo, enquanto aguarda um estudo a ser desenvolvido pelo governo do Estado,  em busca de uma solução ambientalmente correta para o uso dos sacos plásticos, mas que também seja econômica.



 
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