Coluna do Meio

Regina Gorgulho

Os Cílios do Ribeira
  Em agosto, um movimento belíssimo pela preservação do Vale do rio Ribeira, em Registro - SP.
  Foi lançada a campanha pela recuperação das matas ciliares do Vale do Ribeira, que contou com 281 participantes representando os mais diversos segmentos dos municípios do Vale.
  Uniram-se pelos cílios do Ribeira paraenses e paulistas.

Amazônia virgem
  A região entre os rios Purus e Madeira, na Amazônia, foi visitada por pesquisadores que descobriram a mais biodiversa de todas as divisões ecológicas da Amazônia.
  Os cientistas descobriram, nesta área de 40 milhões de hectares, pelo menos quatro novas espécies de aves, três de mamíferos e algumas dezenas de aracnídeos desconhecidos.
  Mesmo ainda virgem, esta uma biodiversidade ameaçada.
  O interflúvio Purus-Madeira está na mira de projetos como a pavimentação da BR-319, que liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM) e a criação de um gasoduto entre Urucu (AM) e Porto Velho - ambos os projetos cortam a área. Também ameaçam a região a construção de hidrelétricas.
 
Índios universitários
  A universidade de Tocantins dá o exemplo.
  Criado há três anos, o programa de cotas para estudantes indígenas da Universidade Federal do Tocantins já atende 68 índios.
  Segundo os professores, mesmo com dificuldades no Português, os índios aprendem bem as matérias.
  O MEC informa que 20 escolas estaduais e federais da rede de ensino superior dispõem hoje de cotas para indígenas.
  O número de índios universitários aproxima-se de 5 mil: quase 1% no conjunto de 580 mil estudantes.
  Os cursos de licenciatura são os mais procurados. Motivo: eles querem voltar às aldeias como professores de sua gente.

Jogo duro com ONGs
  O abuso chegou num ponto que o governo publicou decreto regulamentando  o repasse de verbas da União para ONGs e Oscips.
  A intenção é evitar o desvio de dinheiro público. As novas regras entrarão em vigor a partir de janeiro de 2008.
  Para receber recursos da União, a ONG não poderá ter entre seus dirigentes servidores públicos, parlamentares, juízes ou seus parentes até segundo grau. Os convênios só poderão ser assinados com a comprovação de regularidade fiscal.
  Já era tempo... pois em 2006, foram repassados R$ 3 bilhões a ONGs e Oscips.

AGENDA 21
  Os desafios futuros parecem que estão sendo neglicenciados.
  Mesmo a mudança climática ameaçando a Terra pelo derretimento dos Pólos, pela destruição das florestas e pelos ciclones fortíssimos, parece que caiu no esquecimento a implantação da Agenda 21.
  Parece que tudo virou marketing.

Milho Transgênico
  A CTNBio aprovou a liberação comercial do milho transgênico Guardian, desenvolvido pela Monsanto e resistente a insetos.
  Foram 15 votos favoráveis ao pedido - um a mais do que o mínimo exigido -, uma abstenção e um voto contrário.
  Em protesto, seis integrantes da CTNBio deixaram a sala de reunião antes da votação.
  O presidente da CTNBio deverá encaminhar a resolução ao Conselho Nacional de Biossegurança para a palavra final.
  Tudo correndo direitinho, a semente vai estar no mercado em dois anos.
  Ideologia e ciência não caminham juntas.

Bolívia e o Madeira
  A Bolívia continua bufando contra as usinas hidroelétricas do rio Madeira, em Rondônia.
  Agora o vice-ministro boliviano da Biodiversidade, dos Recursos Florestais e do Meio Ambiente, Juan Pablo Ramos, anunciou que vai recorrer a todos os organismos internacionais para frear o projeto brasileiro.
  Precisa ver se estão com gás para tanta briga.

ONGs desviada
  Em 2006, o governo federal destinou R$ 3 bilhões às ONGs e Oscips. O valor corresponde a 1,29% do PIB.
  Pior é o seguinte. Do total deste di-nheirão, os técnicos do TCU e da Controladoria-Geral da União  calculam que quase a metade - perto de R$ 1,5 bilhão - tenha sido desviada. Ou seja, foram para o ralo, alimentando a indústria da corrupção.
  Mais triste?  Impossível!

 “O último repasse que o Ibama fez para o Parque Nacional da Serra da Capivara foi em agosto de 2005. A falta de recursos para manutenção do Parque, um patrimônio
mundial, chegou ao limite. É incrível como o Brasil não dá mesmo valor aos seus valores”.

Arqueóloga Niéde Guidon, presidente da Fundação Museu do Homem Americano.



 
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