Desmatamento no Piauí

Mais mata virgem do Cerrado piauiense é destruída para a produção de carvão

Tânia Martins, de Teresina

Os municípios de Corrente, Parnaguá, Cristalândia, entre outros no Sul do Piauí, estão ardendo em brasa com a instalação de centenas de fornos industriais para a fabricação de carvão vegetal destinado às siderúrgicas instaladas no Maranhão e Minas Gerais. Na região, ninguém sabe informar ao certo quem são os responsáveis pelo o crime. De acordo com o ambientalista Israel Guerra, do município de Corrente, os proprietários de terras estão recebendo ofertas vantajosas em dinheiro para arrendarem suas propriedades somente para a retirada da cobertura vegetal. "Como não existe nenhum incentivo por parte do governo para o uso sustentável da terra, os pequenos proprietários estão aceitando a oferta e entregando a mata virgem para a produção de carvão", afirma.

A cena mais comum hoje na zona rural dos três municípios do Piauí é a construção de fornos para a produção de carvão. À semelhança de Serra Vermelha, lá se vão as últimas reservas florestais do Piauí

 

 

 

 

O secretário de Meio Ambiente de Corrente, Hermes Brito, confirmou o crime, disse que os fornos são clandestinos e já presenciou a passagem de inúmeras carretas repletas de carvão. "Não apuramos nada ainda porque não sabemos onde estão instalados os fornos e nem quem são os responsáveis. Também, até agora, não houve nenhuma denúncia na Secretaria", justificou e promete acionar o Ministério Público, casa haja oficialmente uma denúncia.

O mesmo que Serra Vermelha
Populares dos municípios, que estão assistindo a destruição das florestas de cerrado, comentam que por trás dos arrendamentos está à empresa JB Carbon S/A, que vinha transformando a vegetação nativa da Serra Vermelha, também no Sul do estado, em carvão e graças a denúncias de ambientalistas e da imprensa, teve o projeto, ironicamente denominado de Energia Verde, suspenso por determinação da Diretoria de Florestas do MMA.
Segundo eles, seria uma forma da JB compensar os prejuízos que vem amargando com a paralisação do projeto.  
Enquanto nenhuma providência é tomada, as labaredas queimam árvores centenárias dia e noite.
Segundo Israel Guerra, que é presidente da Associação de Proteção do Meio Ambiente de Corrente, em uma só área, dois mil hectares de floresta nativa viraram carvão. "Já fui ao promotor, que não importou. Ao Ibama, se justificou informando que a lei permite o desmatamento em propriedade particular e fui até ao juiz, mas nada está impedindo que nosso cerrado desapareça nesta região", afirma. Israel, que já percorreu mais de uma dezena de carvoaria na região, constatou que os proprietários das terras estão arrendando para o desmatamento estão agindo encontrando na proposta uma forma de sobrevivência.
"Como não há incentivo do governo a créditos agrícola ou outra forma de manejo do uso da terra de maneira sustentável, a primeira proposta que apareceu, agarraram. "Sem o financiamento aos créditos rurais, o pequeno produtor acaba ficando sem opção", justifica e revela que a cena mais comum hoje na zona rural dos três municípios é a construção de fornos para a produção de carvão.
A maior preocupação de Guerra é em relação aos mananciais que já estão comprometidos graças ao uso irracional existente há séculos. "É preciso que haja uma intervenção urgente nesta região. Caso contrário, em pouco tempo não terá mais nenhuma fonte de água", afirma.
O superintendente do Ibama no estado, Romildo Mafra, disse que não está sabendo de nenhuma atividade de desmatamento para a produção de carvão naquela região.
Segundo ele, no estado só há dois grandes desmatamentos  autorizados: justamente o da Serra Vermelha e no município de Regeneração. Nesta região, toda uma chapada, em torno de 21 mil hectares, está sendo destruída para a produção de carvão.
Ainda de acordo com Romildo, o que deve estar acontecendo no Sul do estado é a utilização da terra por seus proprietários que têm direito de desmatar até 70%. E lá se vão as últimas reservas florestais do Piauí.

Israel Guerra: nenhuma autoridade fiscalizadora impede mais este crime ambiental

 

 

 

 



 
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