Parque Rio Branco de Valparaíso de GO

O desafio de salvar um parque engolido pela especulação imobiliária

Juarez Viana e Rafael Viana, de Valparaíso de Goiá

O desafio de salvar o Parque Rio Branco está em nossas mãos. O município de Valparaíso de Goiás tem 12 anos de emancipação político-administrativa. O município conta com uma população aproximada de 150 mil habitantes distribuída numa área de apenas 60 km2 . Isto representa uma densidade populacional semelhante as grandes metrópoles mundiais. Como toda cidade próxima a uma grande capital, a economia de Valparaíso é dependente do Distrito Federal. Chamada de cidade-dormitório, município tem área física limitada, o que acaba impedindo projetos industriais ou de agricultura de grande porte. Resta então a seus habitantes atuar nas atividades comerciais e de prestação de serviço.

Vista geral da área do Parque Rio Branco, em Valparaíso. À direita da BR-040, sentido Brasília/Belo Horizonte, próxima a Ferrovia Centro Atlântica. Se não houver uma ação rápida da população e das autoridades, Valparaíso de Goiás perde sua última oportunidade de implantar o primeiro parque na região

 

Foto: Celso Lima

As trilhas do Parque Rio Branco que poderiam ser usadas pela população
viraram verdadeiro depósito de lixo

 

 

 

Justamente aí começam os desafios: a ocupação desordenada do solo, a degradação dos recursos naturais, dos mananciais, comprometendo a qualidade de vida pela precária coleta e destinação de resíduos sólidos e efluentes dos esgotos domésticos. A urbanização avança. As manchas verdes de matas vão sendo derrubadas e ocupadas. Um exemplo de falta de política pública e pouco interesse das autoridades é o abandono em que se encontra uma das áreas mais nobres de Valparaíso: o Parque Rio Branco.
Com área de aproximadamente 100 hectares, ou um milhão de metros quadrados, com fauna e flora relevantes para a região, nascentes e localização privilegiada em relação a principal via de circulação que é a BR-040, o Parque Rio Branco é o que podemos chamar de última reserva ecológica da região. O que se espera das autoridades constituídas? Que toda área seja preservada, devidamente cercada e que sejam construídos estacionamentos, playgrounds, quadras esportivas, trilhas, ciclovia, lanchonetes e restaurantes. Além do bem-estar e da qualidade de vida, estes investimentos vão gerar mais empregos, renda e muitos benefícios para a sociedade.
Em 1997 houve algumas tentativas no sentido da implantação de um parque na área o que envolveu os proprietários e o poder público. Precisamos reabrir a discussão. Urge construir um parque de uso múltiplo. Esta é uma ação importante para toda a região e não só para o município de Valparaíso.
O desafio está em nossas mãos. Cada habitante de Valparaíso de Goiás tem que participar deste mutirão pelo meio ambiente e defender a última alternativa de urbanização adequada e eficiente para o município. Como? De todas as maneiras: participando de reuniões a favor do projeto, multiplicando as adesões e pressionando as autoridades ambientais federais, estaduais e municipais.
Ao contrário do agito das avenidas, da modernidade dos prédios, dos viadutos e das luzes, o que é romântico mesmo nas cidades são os jardins, os parques e a natureza. A volta da qualidade de vida e do romantismo em Valparaíso de Goiás está ligada à preservação e implantação do Parque Rio Branco.

(*)Juarez Viana é
ex-Secretário Municipal de Meio Ambiente e Agricultura de
Valparaíso de Goiás
e de Luziânia/GO.

Rafael Viana é acadêmico de Engenharia Ambiental da
Universidade Católica de Brasília.

UNIDESC:
estudantes e professores querem a preservação do Parque Rio Branco

A especulação imobiliária chegou com força total ao entorno de Brasília. O município de Valparaíso de Goiás, com apenas 12 anos de emancipação,  já tem mais de 150 mil habitantes. O crescimento desordenado e alguns loteamentos estão destruindo a única mancha de floresta: o Parque Rio Branco. Por isto, estudantes e professores do Centro Universitário de Desenvolvimento do Centro-Oeste - Unidesc estão se mobilizando para fazer da reserva uma Área de Proteção Ambiental Permanente. Segundo o professor Celso Lima não é fácil lutar contra a força da especulação imobiliária e com a omissão das autoridades responsáveis pela cidade. E adverte: "Se os moradores de Valparaíso quiserem mais qualidade de vida vão ter que se  unir e lutar muito para manter vivo o Parque Rio Branco".



 
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