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Ponto de Vista

PAZ, CLIMA E AMBIENTE
As lições de Al Gore e do IPCC sobre os riscos do aquecimento para a humanidade.

Maurício Andrés Ribeiro (*)

23 de Outubro de 2007

"Quem perdeu a paciência perdeu a batalha" Inscrição num muro em cidade indiana. Ao conferir a ambientalistas o prêmio Nobel da Paz de 2004 e o de 2007, o comitê que os escolheu prestou um relevante serviço à sociedade. Ao valorizar a questão ambiental e climática como essenciais para a paz, ajuda a expandir a consciência coletiva nessa direção. Wangari Maathai, a queniana premiada em 2004, expressava tal consciência quando disse que "Quando plantamos novas árvores, plantamos as sementes da paz." Esta consciência foi também verbalizada pela presidente do comitê Nobel Norueguês, Ole Danbolt Mjoes, ao afirmar que "A paz na Terra depende da nossa capacidade de garantir nosso meio ambiente vivo". O noticiário informa que, ao tomar tal decisão, o comitê enfrentou resistências e contrariou posições de segmentos que ainda não percebem com clareza essa vinculação.

Al Gore,  premiado em 2007, assim como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, e seu presidente, o indiano Rajendra Pachauri, prestaram um relevante serviço à paz ao se dedicarem ao tema das mudanças climáticas como potencial desencadeador de conflitos.
Al Gore, por meio do documentário "Uma verdade inconveniente", ganhador do Oscar, e o IPCC por meio de seus relatórios, comunicaram para o grande público os riscos a que a humanidade está exposta.
Perceber que a guerra é a mais anti-ecológica das atividades humanas, pois destrói não somente as vidas humanas, mas a vida animal e vegetal, bem como polui e contamina  os ecossistemas, é um primeiro passo para levar à consciência de sua inviabilidade.
A escravidão somente foi abolida quando, além de indesejável para os planos comerciais das metrópoles, pois o assalariamento dos ex-escravos poderia gerar um mercado consumidor,  tornou-se insuportável na consciência social.
Assim também, a guerra e a agressão ao ambiente somente serão abolidos quando se tornarem psicologicamente insuportáveis e quando se expandir a consciência sobre seus custos e riscos. 
Num contexto em que é crescente a pressão sobre os recursos naturais, sendo também crescente o risco de conflitos e da propagação da violência entre sociedades e grupos sociais, relacionadas com o acesso e uso a tais recursos, a disseminação de valores humanos construtivos será um elemento essencial para promover a harmonia e da paz social e com a natureza.
A Unesco já reconhecia a necessidade de trabalhar a paz dentro de cada pessoa quando adotou a seguinte frase como introdução ao ato que a constituiu: "Se as guerras nascem no espírito dos homens, é nos espíritos dos homens que devem ser erguidos os baluartes da paz."
 Programas de educação para a paz retomam noções presentes em antigas tradições, como por exemplo, a noção indiana de "ahimsa", que tanto pode ser traduzida como 'não violência' ou "ausência de falta de amor".
Tal princípio, aplicado nas estratégias não-violentas de resolução de conflitos, foi usado pelo Mahatma Gandhi na resistência passiva contra os ingleses, que culminou na independência da Índia, em 1947.
Uma cultura de paz com a natureza implica em reconhecer os crescentes riscos e ameaças à segurança individual e social representados pelos desequilíbrios ambientais e pelas mudanças climáticas. No contexto da educação para a paz e para o meio ambiente, existem várias iniciativas. Uma delas, criada por Pierre Weil na UNIPAZ-DF é "A arte de viver em paz". Distingue três aspectos do tema: a paz consigo mesmo, com os outros e com a natureza.
Mostra como nasce a guerra no espírito do homem e apresenta métodos para o despertar e para  o desenvolvimento da paz interior, no corpo, no coração e no espírito. No segundo aspecto, denuncia a normose  contemporânea e apresenta os processos de educação social, cultural e econômica pela paz.  No que se refere à paz com a natureza, trata do homem como parte dela e defende a necessidade de uma pedagogia ecológica.

(*) Autor de Ecologizar, pensando o ambiente humano e de Tesouros da Índia para a civilização sustentável.
mandrib@uol.com.br 
www.ecologizar.com.br



 
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