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Sustentabilidade do Pau-Rosa
Desafios na produção Silvestre Gorgulho 16 de Dezembro de 2007 Um dia a atriz Marilyn Monroe fez uma frase que ficou lendária e freqüentou a fantasia de consumo de homens e mulheres: "Durmo vestida apenas com algumas gotas de Chanel nº5". O perfume Chanel nº 5 chegou às lojas, em 1921. Era conhecido nos Estados Unidos e na França, na época, como Brazilian rosewood, apenas uma árvore muito abundante na Amazônia. A popularidade, o comércio, a pirataria, o tráfico e o conseqüente corte do Pau-rosa, em busca do óleo, deram início a um processo de desmatamento que levou ao intenso comércio ilegal da árvore. Conseqüência: o Pau Rosa virou uma espécie ameaçada de extinção. Para o co-autor do livro "Biodiversidade na Amazônia" e cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Paulo Tarso de Sampaio, "esse aroma é incomparável, e faz com que as pessoas ajam de maneira estranha. A exploração intensa significa que todas as áreas nas quais o acesso ao Pau-rosa era fácil foram devastadas. Pior da história, a demanda continua crescendo". A floresta Amazônica é cobiçada no mundo inteiro. E, dentro da floresta, o produto mais cobiçado por perfumistas e pelas indústrias de coméstico, de essências e aromas é justamente o Pau-rosa (Aniba rosaeodora). A demanda pela árvore e o comércio legal e ilegal cada vez mais crescente, levou a Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas realizar até um Seminário sobre Pau Rosa, junto com a Universidade do Estado do Amazonas. O seminário discutiu justamente os desafios para sua produção sustentável. O seminário buscou colher o maior conhecimento possível sobre o Pau-rosa. Foram debatidas as iniciativas que vêm sendo desenvolvidas no âmbito regional e nacional sobre a comercialização e produção. O encontro reuniu pesquisadores, produtores, representantes de indústrias de processamento e compradores. Os interessados trocaram idéias sobre métodos de produção, preservação ambiental, aspectos sociais do manejo e do beneficiamento, além da comercialização do Pau Rosa. Para incentivar um debate mais amplo e o lançamento de novas propostas sobre a atividade, o governo do Amazonas procurou atrair para discussão todos os envolvidos na cadeia produtiva do Pau-rosa. O objetivo do seminário foi fazer uma análise dos principais desafios nestas áreas do conhecimento. Foi elaborado um documento final, que apresentou sugestões para solucionar problemas como demanda pelo produto, desenvolvimento de metodologias de manejo florestal, produção de óleos essenciais, aspectos sociais da produção, pesquisa e assistência técnica florestal. Extraído de todas as partes da planta, o óleo do pau rosa é um produto cobiçado pelos perfumistas e pela indústria de essências e aromas. A publicação da Instrução Normativa SDS 002/2006 foi um marco para a retomada da produção legal e sustentável do óleo de pau rosa no estado do Amazonas. O óleo do Pau-rosa foi o produto que movimentou a economia na região do sul do estado. Na década de 60 existiam mais de 120 empresas no Amazonas. Hoje, porém, não passam de cinco empreendimentos. A extração da madeira, raramente acompanhada por ações eficientes de manejo florestal ou reflorestamento, ameaçou a espécie de extinção e tornou a atividade muito onerosa, principalmente pelas grandes distâncias e difícil acesso às áreas remanescentes de ocorrência do Pau-rosa.
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