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Cavalgada do Mar A farra-do-boi gaúcha Cavalgada do Mar assemelha-se a tradições culturais moralmente condenáveis, como farra do boi, rodeios e touradas. Marcio de Almeida Bueno, de Porto Alegre 23 de Abril de 2010 No início do ano, o litoral do Rio Grande do Sul sediou a 26ª Cavalgada do Mar, reunindo três mil cavalarianos para 240 quilômetros pelas praias. Já nos primeiros dias, a imprensa noticiava a morte de dois cavalos, mas extra-oficialmente corria a informação de que seis a oito cavalos tinham morrido de stress e exaustão. Uma dúzia havia passado mal. Com isso, dezenas de entidades de proteção e grupos pró-libertação animal lançaram a 'Carta Aberta Aos Gaúchos de Bom Senso', que rodou a Internet e chamou a atenção para o caso. O documento pedia o fim da Cavalgada do Mar e denunciava a exploração do cavalo, apesar de ser 'o melhor amigo do gaúcho'. ![]()
E ssas cavalgadas fazem parte da indústria cultural pilchada, que se reproduz pela mídia e calendário de eventos celebratórios. É mais um do barroquismo cívico, parte de uma identidade que se alimenta da exibição", comenta o historiador e professor da Universidade de Passo Fundo, Tau Golin. Em seu livro 'Identidades', Golin classifica a tradição gaúcha como uma cultura da violência. "Nesta poética, existem inúmeras músicas que o índice de hombridade é medido pela capacidade de violência contra outros homens e os animais, no 'poder' de sujeitar cavalos", aponta. Crítica na mídia Comer, beber e dar risada Vilmar Romera: "Se morrerem 15 cavalos, não tenho nada com isso. Esse é um problema do dono do cavalo. É como mulher. Se tu não tratares bem, vais levar guampa". Em entrevista dada a Zero Hora, o folclorista Paixão Côrtes, nome maior do tradicionalismo gaúcho, dizia não ver razão na Cavalgada do Mar. "Não há pesquisa nem serve para questionar os problemas do RS. É comer, beber e dar risada", decretou. Naqueles dias, o presidente da Fundação Cavalgada do Mar, Vilmar Romera, defendia o evento no mesmo veículo, com declarações desastradas - "se morrerem 15 cavalos, não tenho nada com isso. Esse é um problema do dono do cavalo. É como mulher. Se tu não tratares bem, vais levar guampa". O lema deste ano era 'Mulheres a Cavalo pelo Rio Grande'.
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