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Diversidade biológica

O ATIVO VERDE

Qual o valor da floresta em pé?

Silvestre Gorgulho

Quanto vale a Floresta Amazônica hoje, por exemplo, na Bolsa de Nova York? Abstraindo-se do rico mercado de madeira pura e simples, fora até a riqueza por ser a maior reserva de água doce do mundo e até mesmo a matéria prima para a indústria dos comésticos, quanto será que passa valer a Floresta Amazônica se for encontrado lá, por exemplo, alguma planta, algum gem ou enzima que cure o câncer, a AIDS ou qualquer outra doença? O fato é que Floresta Amazônica - e todas outras que existem - tem um megavalor para o país e para a humanidade. Mais: significa um relevante ativo econômico-financeiro. Mas, infelizmente, ainda não é computado no PIB - Produto Interno Bruto. O relatório TEEB (Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade) faz parte de um estudo a ser apresentado na Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 10) em Nagoya, no Japão, em outubro de 2010.

O importante é que esta relação biodiversidade /ativo financeiro/PIB está mudando. A biodiversidade começa a entrar em agendas corporativas das empresas e entra na nova corrente verde. Para vários economistas ligados ao meio ambiente, empresas com "impacto líquido positivo" sobre a diversidade biológica são campeãs em um mundo de recursos naturais limitados.

Um dado importante: um em cada quatro presidentes de empresas vê as perdas da biodiversidade como uma questão estratégica delicada para o crescimento dos negócios: líderes políticos, empresariais e ambientalistas  latino-americanos são os mais preocupados com os impactos das perdas da biodiversidade nas perspectivas de crescimento de negócios.

"A sociedade precisa entender que a biodiversidade deve ser tratada como patrimônio ambiental. Quem se arrisca a perder ativos ambientais na quantidade e qualidade dos que dispomos no Brasil está abrindo mão de insumos para o desenvolvimento. Está perdendo bens inestimáveis capazes de gerar trabalho, renda e melhor qualidade de vida no futuro."

 

 

Um capital natural
Negócios: a Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade

Em julho, durante o I Simpósio Global de Negócios de Biodiversidade, no Excel Center - Londres, foi lançado o Relatório TEEB (sigla em inglês)  sobre a Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade. O relatório destacou que ?empresas líderes de países ricos em biodiversidade que apresentam economias em desenvolvimento, estão preocupadas com as perdas de  "capital natural". Segundo o relatório, mais de 50% dos presidentes executivos entrevistados na América Latina e 45% na África, enxergam os declínios na biodiversidade como um desafio para o crescimento das empresas. O estudo "A Economia dos Ecossistemas e a Biodiversidade" é claro: os chefes das empresas que não conseguem incluir o manejo sustentável como parte dos seus planos de negócios podem encontrar-se cada vez mais fora do mercado.

Consumidores atentos
A atenção dos consumidores também fez parte das pesquisas. O relatório TEEB mostrou o interesse crescente entre os consumidores - com 60% dos questionados na América e na Europa e mais de 90% no Brasil - estão conscientes sobre a perda de biodiversidade.  Um dado interessante: mais de 80% entrevistados disseram que parariam de comprar produtos de empresas que não levam em conta as considerações éticas em suas práticas de aquisição de produtos e serviços de fornecedores externos.
A TruCost consultoria, sediada no Reino Unido, em nome dos Princípios a ONU para o Investimento Responsável, está determinada a publicar um estudo sobre as atividades das 3 mil maiores empresas listadas do mundo, estimando que seus impactos negativos somam cerca de $2.2 trilhões de dólares anualmente. Para Pavan Sukhdev, líder do estudo TEEB e chefe da Iniciativa Economia Verde do PNUMA, "o relatório do TEEB e outros estudos semelhantes mostram a importância econômica da biodiversidade. Os ecossistemas estão ganhando visibilidade. É evidente que algumas empresas em  determinados setores e continentes estão atentas sobre essa mensagem, a fim de construir um século XXI de empresas mais sustentáveis".
O relatório lançado hoje, intitulado TEEB para o setor de Negócios - quefaz parte de um conjunto de relatórios a serem lançados no AnoInternacional da Biodiversidade -, convida as empresas a adotar conceitoscomo "Sem Perdas Líquidas" (No Net Loss), "Neutralidade ecológica" e"Impacto Líquido Positivo" sobre o meio ambiente.
Para Achim Steiner, Diretor Executivo do PNUMA, o mundo está entrando em uma Era em que a perda de vários trilhões de dólares em recursos naturais estão começando a moldar os mercados e sensibilizar os consumidores. Achim Steiner é categórico: ?A maneira como as empresas respondem a esses riscos, realidades e oportunidades está, cada vez mais, definindo a sua rentabilidade, o seu perfil no mercado e o paradigma de desenvolvimento global das próximas décadas. Isto num planeta de seis bilhões, a caminho de nove bilhões de pessoas até 2050".

O mercado  ambiental em alta

 Além de minimizar e mitigar os impactos negativos, os negócios podem também gerar receita a partir da conservação da biodiversidade e deserviços de ecossistemas. A agricultura, silvicultura e pesca dependem de ecossistemas saudáveis para garantir bons lucros.

O setor de turismo tem um grande interesse e importante papel adesempenhar na conservação da biodiversidade. Percebendo sua dependência sobre a rica, porém frágil biodiversidade de recifes de coral, a Chumbe Island Coral Park Ltda. na Tanzânia já investiu mais de $1,2 milhões dólares no estabelecimento de um parque marinho para proteger os corais ao redor da ilha de Chumbe.

A empresa apoia ativamente a gestão do parque, bem como suas próprias instalações no resort. Outras empresas com compromissos similares em relação à biodiversidade incluem o Walmart (Iniciativa Acres para a América), Coca- Cola (ÁguaNeutra em 2020) e BC Hydro (Zero impacto incremental líquido ecológico). O relatório TEEB fará parte de um estudo a ser apresentado na Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 10) em Nagoya, no Japão, em outubro de 2010.



 
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