Capital gaúcha foi pioneira no recolhimento do lixo reciclável
Letícia Heinzelmann, de Porto Alegre
28 de Agosto de 2010
A coleta seletiva de lixo urbano em Porto Alegre iniciou no dia sete de julho de 1990. Mais que comemorar os 20 anos da coleta - iniciada primeiramente apenas no bairro Bom Fim e, dois anos depois, expandida para toda a cidade, a data é emblemática por ter promovido uma mudança no comportamento da população em relação ao lixo e também porque a administração pública municipal adotou um princípio pouco utilizado naquela época, o da sustetabilidade.
Os caminhões destinados à coleta de recicláveis circulam duas vezes por semana, tirando das ruas os resíduos reaproveitáveis, como papéis, metais, isopor, plásticos e vidros. O material recolhido pelas equipes do DMLU - Departamento Municipal de Limpeza Urbana, é levado para 16 unidades de triagem conveniadas. São galpões montados e custeados pela prefeitura, onde o lixo é acondicionado, prensado e armazenado. Em duas décadas, o volume recolhido saltou de três toneladas para cem toneladas diárias. Porto Alegre foi a primeira cidade brasileira a implantar esse tipo de serviço e ainda é uma das poucas que realizam a coleta seletiva. Ainda assim, o volume recolhido representa apenas 10% do total produzido por dia na capital gaúcha. ?Estamos festejando a história e o futuro, porque hoje somos referência nacional, mas temos consciência de que podemos melhorar ainda mais?, destaca o diretor-geral do DMLU, Mário Moncks. Ele lembra que, na época da implantação da coleta, a comunidade foi convidada a separar o lixo doméstico, descartando-o em dois recipientes diferentes. Num, o lixo orgânico, recolhido diariamente, noutro, o lixo seco, que passaria a ser recolhido semanalmente. A proposta precisou ser bem explicada, tanto do ponto de vista da operação quanto do conceito de sustentabilidade ambiental e das vantagens sociais que isso significaria para Porto Alegre e as gerações futuras. A ideia foi bem compreendida, aceita e prosperou.
Emprego e renda Da experiência no bairro Bom Fim até hoje, a história de pioneirismo e o modelo de trabalho justificam o reconhecimento nacional e o fato de já ser também referência para a América Latina. Com a evolução e o aperfeiçoamento da coleta, o DMLU foi reforçando a estrutura das unidades de triagem para que o trabalho de encaminhamento do lixo seco às indústrias de reaproveitamento e reciclagem possa garantir mais empregos e renda para os trabalhadores do setor. Cerca de 800 pessoas (82% mulheres), organizadas formalmente em associações ou cooperativas, sustentam suas famílias com um rendimento médio de R$ 550. A 17ª unidade deverá ser inaugurada ainda neste ano pela prefeitura. Todas são estruturadas com cestos coletores, recipientes para a triagem do lixo, esteiras, balanças e prensas. Algumas contam com cozinha comunitária e horta ou até salas de informática. O DMLU fornece a matéria-prima (resíduos da coleta seletiva) e mais R$ 2,5 mil por mês para as despesas de manutenção, como luz, água, equipamentos individuais de segurança etc e recebe a devida prestação de contas desse dinheiro. A administração do grupo (número de pessoas e divisão da renda) e a comercialização com a indústria é feita de maneira autônoma pelos trabalhadores, que dividem o resultado entre eles.
Custos A coleta seletiva tem um custo maior para o DMLU, por ser uma coleta especial, diferenciada. Uma empresa terceirizada administra os 28 caminhões da coleta e recebe R$ 340 mil mensais pelo serviço. O DMLU economiza R$ 120,87 por tonelada de lixo a que as empresas encarregadas do lixo orgânico não têm acesso. Essa economia, hoje, é de R$ 240/mês. "O pagamento à empresa da coleta seletiva é fixo. Portanto, se a população separar melhor o seu lixo em casa, o DMLU poderá continuar aumentando a quantidade de lixo seco coletado e muito breve o custo da coleta seletiva será ainda menor", projeta Jairo Armando, diretor da Divisão de Projetos Sociais, Reaproveitamento e Reciclagem do órgão. Ele lembra que isso é absolutamente factível a curto prazo, já que uma lei aprovada na Câmara Municipal fixa prazo para o fim das atividades dos catadores que atuam com carroças na Capital. Ele entende que a medida poderá ?trazer para a formalidade milhares de catadores que sobrevivem desorganizadamente do reaproveitamento e da reciclagem do lixo?.
Porto Alegre foi a primeira cidade brasileira a implantar esse tipo de serviço e ainda é uma das poucas que realizam a coleta seletiva. O volume recolhido representa só 10% do total produzido por dia.
Saiba mais
- A reciclagem de um quilo de cacos de vidro gera exatamente um quilo de vidro novo.
- A reciclagem de alumínio economiza 95% da energia que seria usada para produzir alumínio primário.
- A reciclagem de 50 quilos de papel evita o corte de uma árvore de sete anos e, cada tonelada de papel reciclado, pode substituir o plantio de até 350 metros quadrados de eucalipto, cultura que é motivo de polêmica no Rio Grande do Sul.
- A coleta seletiva tem dias e horários específicos para cada zona da cidade, e passa duas vezes por semana.
- O lixo deve ser colocado na rua, no máximo, duas horas antes, assim como na coleta comum.
- Os sacos plásticos devem estar bem fechados, em perfeitas condições de higiene, sem líquido em seu interior.
- O Código Municipal de Limpeza Urbana prevê a cobrança de multa para quem infringir essas normas.
- O calendário da coleta seletiva pode ser acessado no site www.portoalegre.rs.gov.br/dmlu e nos links 'Serviços' e depois 'Coleta Seletiva'.
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